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| Foto: Daniel Kaiser |
A primeira
coisa que muitos se lembram quando fala-se no Rio de são as praias. Elas são o
principal cartão postal da cidade. Caminhando pela orla, é possível encontrar
gente jogando futebol, vôlei, futevôlei e acredite: futebol americano. É o
esporte da bola oval na sua forma mais carioca possível. Se no Rio, essa
modalidade já tem bastante história, poucos a conhecem em outros locais do
Brasil. Nos Estados Unidos, terra do football
então, ninguém conhece. O futebol americano jogado na areia possui até um
torneio, que é considerado um dos mais antigos e mais charmosos do Brasil: o
Carioca Bowl.
Já foram
disputadas 14 edições. Na mais recente em 2016, disputado entre fevereiro e
Junho, seis equipes duelaram pelo título nas areias do Rio de Janeiro. Foram
elas o Piratas de Copacabana, Madureira Mamutes, Rio de Janeiro Sharks,
Falcões, o Ipanema Tatuís e o RJ Islanders. O maior campeão do torneio é o
Botafogo Reptiles. Sim, o mesmo time que hoje disputa a BFA. Eles começaram na
areia, mas depois de tantos títulos, optaram por fazer a transição praia –
campo. Os mamutes também fizeram essa mudança depois do campeonato de 2016 e
não disputam mais o Carioca Bowl. O torneio já está em andamento, e no final do
mês de maio começam os playoffs.
Buscando
uma renovação, as equipes têm aberto os treinos para todos que gostam do
esporte e queiram treinar. O assunto foi, inclusive, pauta do Bom Dia Rio da TV
Globo recentemente. Durante um dos treinos do Piratas de Copacabana, uma dos
times pioneiros do torneio, foi possível observar alguns drills bem
interessantes. Inicialmente, foi feita uma divisão ataque e defesa. Enquanto na
parte de defesa era treinado tackles, no ataque treinavam-se rotas e recepções.
Algumas foram trabalhadas mais especificamente, como o slant (rota onde o WR corre de 5 a 10 jardas até fazer um corte de
45º para o centro), out (rota em que
o recebedor corre de 5-15 jardas, até cortar 90º em direção a lateral do campo)
e post (recebedor corre de 15-25
jardas e faz um corte de 45º para o centro do campo). Depois, foi feito um
treinamento conjunto, simulando jogadas sem as linhas ofensiva e defensiva e
linebackers. Matheus Guida, um dos QBs do time, chamava as jogadas. Ele
determinava a rota de cada recebedor, fazendo também audibles na linha de
scrimage, enquanto a defesa definia a sua jogada acertando também o seu
posicionamento. Foi possível ver várias jogadas sendo trabalhadas. As mais
diversas rotas (flat, slant, go, post etc...) e também diversos tipos de
cobertura (man coverage, cover 2, cover 3 etc...).
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O coordenador defensivo Gabriel Queiroz conversa
com a defesa/foto: Daniel Kaiser |
O
coordenador defensivo e CB do time Gabriel Queiroz se apaixonou pelo esporte há
alguns anos, e rapidamente começou a pratica-lo. ‘’Eu comecei a acompanhar a
NFL pela ESPN, acabei me interessando e comecei a jogar com os amigos.’’ Inicialmente
ele atuaria no ataque, mas isso acabou mudando quando começou a treinar. ‘’Comecei
como CB. Tinha que treinar o meu catch (recepção, para poder interceptar),
porque eu não estava conseguindo segurar a bola direito e acabou que eu fiquei
na posição por ter velocidade’’.
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QB Matheus Guida improvisa em jogo
contra o Falcões/foto: Daniel Kaiser |
Patrick
Toledo, WR do Piratas e torcedor do Arizona Cardinals, tem Larry Fitzgerald
como ídolo e atua como recebedor por conta dele. Ele também começou a
acompanhar o futebol americano com as transmissões da NFL. ‘’Eu comecei a
assistir em 2009, quando o Arizona Cardinals foi para o Super Bowl’’ Ele disse
que curtiu bastante o que viu e foi isso o que lhe despertou o interesse de
praticar o esporte. Guida convidou ele para jogar em um time de amigos e foi o
seu ‘pontapé inicial’ no esporte. ‘’Há um tempo, o Guida me chamou para treinar
em um time chamado gladiadores que acabou já, era um time só de brincadeira, de
pelada. Acabamos descobrindo o Piratas, fizemos um teste e entramos todos.’’
Uma
das coisas que mais chamam a atenção no futebol americano jogado na areia é a
não utilização de equipamentos. Algumas regras existentes na areia, porém,
permitem que eles sejam dispensados. Outro motivo é a própria areia. O shoulder pad serve principalmente
para absorver o impacto da queda no chão, mas por não se tratar de grama e um
chão mais duro, eles seriam apenas um empecilho no bom deslocamento dos
jogadores enquanto correm. Mas essa não é a única diferença. Queiroz explica
que a quebrada nas rotas também é bem diferente. Enquanto na grama o recebedor
tem que parar de correr, na areia o recebedor tem que fazer um ‘’fake’’, caso
contrário corre o risco de se lesionar.
Como de
costume, o time tem o seu grito de guerra. ‘’Quem é, é. Quem não é, mete o
pé!’’. Apesar de intimidador, os integrantes garantem que todos são muito bem
vindos à equipe para treinar. Basta ter vontade. É uma excelente possibilidade
para aqueles que assistem às transmissões pela televisão, mas não sabem como
começar a treinar. O time treina toda quarta feira as 19h e aos sábados as 16h
no posto 3 em Copacabana. Todas as equipes recebem novos integrantes de braços
abertos. Basta ter vontade e disposição para treinar.
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| Piratas de Copacabana/foto: Daniel Kaiser |