quarta-feira, 26 de abril de 2017

O Futebol Americano no seu formato mais carioca possível

Foto: Daniel Kaiser
A primeira coisa que muitos se lembram quando fala-se no Rio de são as praias. Elas são o principal cartão postal da cidade. Caminhando pela orla, é possível encontrar gente jogando futebol, vôlei, futevôlei e acredite: futebol americano. É o esporte da bola oval na sua forma mais carioca possível. Se no Rio, essa modalidade já tem bastante história, poucos a conhecem em outros locais do Brasil. Nos Estados Unidos, terra do football então, ninguém conhece. O futebol americano jogado na areia possui até um torneio, que é considerado um dos mais antigos e mais charmosos do Brasil: o Carioca Bowl.
Já foram disputadas 14 edições. Na mais recente em 2016, disputado entre fevereiro e Junho, seis equipes duelaram pelo título nas areias do Rio de Janeiro. Foram elas o Piratas de Copacabana, Madureira Mamutes, Rio de Janeiro Sharks, Falcões, o Ipanema Tatuís e o RJ Islanders. O maior campeão do torneio é o Botafogo Reptiles. Sim, o mesmo time que hoje disputa a BFA. Eles começaram na areia, mas depois de tantos títulos, optaram por fazer a transição praia – campo. Os mamutes também fizeram essa mudança depois do campeonato de 2016 e não disputam mais o Carioca Bowl. O torneio já está em andamento, e no final do mês de maio começam os playoffs.
Buscando uma renovação, as equipes têm aberto os treinos para todos que gostam do esporte e queiram treinar. O assunto foi, inclusive, pauta do Bom Dia Rio da TV Globo recentemente. Durante um dos treinos do Piratas de Copacabana, uma dos times pioneiros do torneio, foi possível observar alguns drills bem interessantes. Inicialmente, foi feita uma divisão ataque e defesa. Enquanto na parte de defesa era treinado tackles, no ataque treinavam-se rotas e recepções. Algumas foram trabalhadas mais especificamente, como o slant (rota onde o WR corre de 5 a 10 jardas até fazer um corte de 45º para o centro), out (rota em que o recebedor corre de 5-15 jardas, até cortar 90º em direção a lateral do campo) e post (recebedor corre de 15-25 jardas e faz um corte de 45º para o centro do campo). Depois, foi feito um treinamento conjunto, simulando jogadas sem as linhas ofensiva e defensiva e linebackers. Matheus Guida, um dos QBs do time, chamava as jogadas. Ele determinava a rota de cada recebedor, fazendo também audibles na linha de scrimage, enquanto a defesa definia a sua jogada acertando também o seu posicionamento. Foi possível ver várias jogadas sendo trabalhadas. As mais diversas rotas (flat, slant, go, post etc...) e também diversos tipos de cobertura (man coverage, cover 2, cover 3 etc...).
O coordenador defensivo Gabriel Queiroz conversa
 com a defesa/foto: Daniel Kaiser
O coordenador defensivo e CB do time Gabriel Queiroz se apaixonou pelo esporte há alguns anos, e rapidamente começou a pratica-lo. ‘’Eu comecei a acompanhar a NFL pela ESPN, acabei me interessando e comecei a jogar com os amigos.’’ Inicialmente ele atuaria no ataque, mas isso acabou mudando quando começou a treinar. ‘’Comecei como CB. Tinha que treinar o meu catch (recepção, para poder interceptar), porque eu não estava conseguindo segurar a bola direito e acabou que eu fiquei na posição por ter velocidade’’.
QB Matheus Guida improvisa em jogo
contra o Falcões/foto: Daniel Kaiser
      Patrick Toledo, WR do Piratas e torcedor do Arizona Cardinals, tem Larry Fitzgerald como ídolo e atua como recebedor por conta dele. Ele também começou a acompanhar o futebol americano com as transmissões da NFL. ‘’Eu comecei a assistir em 2009, quando o Arizona Cardinals foi para o Super Bowl’’ Ele disse que curtiu bastante o que viu e foi isso o que lhe despertou o interesse de praticar o esporte. Guida convidou ele para jogar em um time de amigos e foi o seu ‘pontapé inicial’ no esporte. ‘’Há um tempo, o Guida me chamou para treinar em um time chamado gladiadores que acabou já, era um time só de brincadeira, de pelada. Acabamos descobrindo o Piratas, fizemos um teste e entramos todos.’’
            Uma das coisas que mais chamam a atenção no futebol americano jogado na areia é a não utilização de equipamentos. Algumas regras existentes na areia, porém, permitem que eles sejam dispensados. Outro motivo é a própria areia. O shoulder pad serve principalmente para absorver o impacto da queda no chão, mas por não se tratar de grama e um chão mais duro, eles seriam apenas um empecilho no bom deslocamento dos jogadores enquanto correm. Mas essa não é a única diferença. Queiroz explica que a quebrada nas rotas também é bem diferente. Enquanto na grama o recebedor tem que parar de correr, na areia o recebedor tem que fazer um ‘’fake’’, caso contrário corre o risco de se lesionar.
Como de costume, o time tem o seu grito de guerra. ‘’Quem é, é. Quem não é, mete o pé!’’. Apesar de intimidador, os integrantes garantem que todos são muito bem vindos à equipe para treinar. Basta ter vontade. É uma excelente possibilidade para aqueles que assistem às transmissões pela televisão, mas não sabem como começar a treinar. O time treina toda quarta feira as 19h e aos sábados as 16h no posto 3 em Copacabana. Todas as equipes recebem novos integrantes de braços abertos. Basta ter vontade e disposição para treinar.
Piratas de Copacabana/foto: Daniel Kaiser


2 comentários:

  1. Que maneiro cara! Acho q vou dar uma passada qlq dia desses hahaha

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  2. Bacana! Legal ver que o esporte está se espalhando pelo Brasil!

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